As micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas registraram queda de 12,4% no faturamento real em abril em relação ao mesmo mês de 2015. De acordo com a Pesquisa de Conjuntura divulgada hoje pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), essa é a 16ª queda consecutiva na base de comparação com o mesmo mês do ano anterior.

O número é resultado do baixo desempenho da indústria, que apresentou queda de 14,7%, seguido de perto pelo setor de serviços, com redução de 13,7%. Já a área do comércio encolheu em 10,5% o faturamento, completando a retração causada pelo baixo nível do consumo doméstico que afeta diretamente a receita dos pequenos negócios.

De acordo com a consultora do Sebrae Letícia Aguiar, os números representam a junção de vários fatores. “A retração do consumo interno, o desemprego e a queda real dos salários, por exemplo, impactam diretamente nos negócios dos micro e pequenos empresários”, analisa.

Em relação às diferentes regiões de São Paulo, o interior do Estado foi o que apresentou a menor queda em relação ao mesmo mês do ano passado. Em abril de 2016, as MPEs da área tiveram recuo de 4,8% em seu faturamento enquanto que a Região Metropolitana de São Paulo sofreu queda de 18,8%.

“O início de safras importantes no interior, como por exemplo, a cana-de-açúcar, faz com que se movimente mais renda na região, possibilitando mais vendas para a pequena empresa. Além disso, a queda no ano anterior foi de 19,8% e a média do Estado foi de 13,6% no mesmo período”, explica Letícia. Segundo ela, esses dois fatores somados contribuíram para o resultado “menos pior” na região.

O estudo apurou também queda de 2,7% no número de pessoal ocupado nessas MPEs, que diz respeito à quantidade de trabalhadores, familiares, empreendedores e terceirizados em atividade nesses pequenos negócios. A análise considera o período entre janeiro a abril em relação ao mesmo período do ano passado. Na mesma comparação, o gasto com salários foi 4,6% menor.

Ainda de acordo com o indicador, a receita total dos MPEs paulistas em abril deste ano foi estimada em R$ 45,3 bilhões, R$ 1,4 bilhão a menos do que março. Se comparado ao mesmo mês do ano anterior, a queda chega a R$ 6,4 bilhões.

No acumulado do ano (janeiro a abril), as MPEs do Estado de São Paulo tiveram variação negativa de 14,4% no faturamento ante o mesmo período de 2015.

MICROEMPREENDEDORES

Em abril, os microempreendedores individuais (MEIs) sofreram queda de 19,9% no faturamento real sobre o mesmo mês do ano passado. O resultado representa a 9ª queda seguida na base de comparação.

A divisão por setores aponta a indústria como a principal vertente para a retração do faturamento dos MEIs. O setor registrou 30,8% a menos de receita se comparado com abril de 2015, seguido pelas áreas de comércio e serviços, com retração de 16,9% e 16,6%, respectivamente.

O faturamento total dos MEIs chegou a R$ 2,3 bilhões em abril. Em relação ao mês anterior, esses empreendedores faturaram R$ 9,4 milhões a menos, e em relação a abril de 2015, a queda foi de R$ 570 milhões.

Apesar dos resultados negativos, Letícia afirma que a expectativa tanto das MPEs quanto dos MEIs é positiva. “Em relação à economia brasileira, teve aumento dos que esperam melhora e queda dos que esperam piora para os próximos meses”, explica.

Segundo a consultora, apesar de não acreditarem em resultados expressivos para este ano do ponto de vista de aumento de receita, os empreendedores acham que após meses de queda, a situação tende a melhorar aos poucos, principalmente no setor de consumo.

Fonte: DCI – SP